Seguradoras querem que criação de fundo para catástrofes seja uma prioridade

As seguradoras portuguesas saúdam as declarações do Governo sobre a criação de um mecanismo permanente para responder a catástrofes naturais, tendo entregue uma declaração conjunta para que isto seja uma prioridade, anunciou hoje a Associação Portuguesa de Seguradores (APS).

Executive Digest com Lusa
Fevereiro 6, 2026
11:31

As seguradoras portuguesas saúdam as declarações do Governo sobre a criação de um mecanismo permanente para responder a catástrofes naturais, tendo entregue uma declaração conjunta para que isto seja uma prioridade, anunciou hoje a Associação Portuguesa de Seguradores (APS).

Os líderes das empresas seguradoras que operam em Portugal “entregaram uma declaração conjunta apelando ao poder político para que esta matéria seja assumida como uma prioridade estratégica de interesse público”, indicou a APS, em comunicado.

Em causa estão declarações do ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, em entrevista ao Público e à Renascença, nas quais disse que “é propósito” do Governo para este ano a criação de um fundo de catástrofes e que, para tal, estão a trabalhar com o regulador dos seguros.

Segundo o ministro, o fundo “será capitalizado com o seguro dos imóveis e dos equipamentos e depois com o resseguro”.

A APS saúdou esta intenção e salientou que, “nos últimos 20 anos, o setor segurador português pagou mais de 1.000 milhões de euros em indemnizações associadas a eventos climáticos extremos”, e mais de 60% desse valor ocorreu na última década.

As seguradoras manifestaram também “total disponibilidade para colaborar com o Estado e com as entidades competentes na definição de um modelo nacional de proteção robusto e sustentável, assente em princípios de solidariedade, prevenção e partilha de riscos, à semelhança do que já existe na maioria dos países europeus”.

Entre os eventos com maiores prejuízos associados, de acordo com os dados da APS, destacam-se os incêndios de outubro de 2017, com perdas de 226 milhões de euros, a tempestade Leslie em outubro de 2018, com 101 milhões pagos pelas seguradoras, e a tempestade Martinho, em março de 2025, com 62 milhões de euros.

Já os danos da depressão Kristin ainda estão por apurar, mas fonte oficial da APS indicou à Lusa que as seguradoras já estão a avançar com pagamentos de sinistros relacionados com o mau tempo, sobretudo de menor dimensão.

Treze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.

O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos, que irão beneficiar de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

A situação de calamidade em Portugal continental foi inicialmente decretada entre 28 de janeiro e 01 de fevereiro para cerca de 60 municípios, tendo depois sido estendida até ao dia 08 para 68 concelhos, voltando a ser prolongada até 15 de fevereiro.

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